CONDOCAUSOS – Onde se ganha o pão não se come a carne. será?

Síndicos tarimbados relatam casos de ‘paixões condominiais’
entre funcionários e moradores; confira

“Nem tudo são espinhos em condomínios, às vezes nascem flores, como o romance de porteiro e moradora em um antigo residencial, com 64 unidades e característica peculiar.

A união impera nesse condomínio localizado na Mooca, na zona leste, pois com sucessivos eventos conseguimos promover uma boa integração de moradores. Quando o ambiente é saudável, o clima de harmonia e respeito se estende aos colaboradores. Tanto que os terceirizados trabalhavam lá há mais de dez anos. Certo dia, em minhas visitas vespertinas, me chamou atenção encontrar um dos porteiros fora de seu horário de trabalho, acompanhando uma moradora em seu passeio com um golden retriever enorme, lindo! Mais tarde, conversei com ele. Disse que não desejava me intrometer, mas que na condição de síndico, precisava entender se havia algo entre eles.

 

 

Carlos Theodoro Martins,
síndico profissional

O porteiro confirmou o romance. Contou-me que a moradora passou a conversar com ele pela janela da guarita ao voltar de saídas noturnas com o cachorro. O papo evoluiu, se apaixonaram, e ele passou a morar com ela, o filho dela e o golden. Após ouvi-lo, decidi ter uma conversa com os dois juntos para orientá-los a não ficarem de namoro em ambiente de trabalho, algo que comprometeria a segurança do edifício. Em seguida, expus o relacionamento à terceirizada e ao conselho. Em consenso, ficou decidido que não seria necessário transferi-lo de posto, afinal, era benquisto por todos. A partir daí o casal assumiu a união, que se manteve firme, ao menos nos anos em que administrei o condomínio.  

Também já lidei com situação oposta, muito desconfortável. Eu administrava um condomínio novo no Itaim Bibi, zona sul, com andares destinados a salas comerciais, e a maior parte deles às unidades residenciais. No térreo, havia recepcionistas muito bonitas, bilíngues, simpáticas, condizentes à imponência do edifício.  Notei que no turno de uma delas, sempre havia fluxo de homens no balcão. Busquei imagens das câmeras e constatei que no horário do almoço, essa jovem comia rapidamente, saia do refeitório e subia para os apartamentos. Conversei com ela, que me contou ter recebido uma proposta para ‘ficar’ com um morador, e que outros souberam e começaram a agendar programas com ela.

Eu tive de tomar uma providência, senão o condomínio ficaria com má fama. Comuniquei à terceirizada, que a substituiu rapidamente, mas aí precisei lidar com o mau humor de um conselheiro, que não gostou nada de saber que a moça não mais daria expediente no condomínio.”

“Se algum funcionário se envolve amorosamente com quem reside no
condomínio, eu sou a favor da transferência de posto devido a conflito de interesses.

O funcionário que se relaciona com uma condômina pode, por exemplo, beneficiá-la acobertando eventual descumprimento às regras do condomínio. Prefiro não correr riscos. Anos atrás, em um residencial de classe média alta na zona oeste da cidade, descobri que um dos porteiros havia se tornado companheiro de uma condômina. Solicitei à terceirizada para trocá-lo de posto. Ele não gostou dessa medida, pois quando nós víamos no condomínio, me lançava um olhar provocativo, como se dissesse: ‘Ao menos, não pode me impedir de morar aqui.’ Mas essa condômina foi cuidadosa, quando a relação chegou ao fim, ela o removeu do cadastro de moradores.

Nesse condomínio, outro porteiro, um que rapaz que assumia o turno às sete da manhã, passou a chegar às duas da madrugada. Não atrasava nunca! Os colegas estranharam, monitoraram e constataram que até dar o horário de assumir a portaria, ele ficava no apartamento de uma moradora, mãe de criança pequena, cujo marido se ausentava por longos períodos a trabalho. Precisei solicitar a transferência dele, do contrário, se continuasse a frequentar o condomínio fora do expediente, poderíamos ter alguma consequência trabalhista. Quando o marido voltou de viagem, ninguém disse uma palavra, até porque o caso extraconjugal havia sido bem discreto.

 

 

Demilson Guilhem,
síndico profissional

Em uma terceira situação, em um condomínio de classe média no Grande ABC, o romance literalmente deu frutos. Eu já havia percebido que a subsíndica, que trabalhava em home office, gostava muito de ir à guarita, e até a alertara: ‘Não é para você ficar lá dentro, apenas veja se está tudo em ordem e deixe a portaria trabalhar’.  Não fiquei tão surpreso ao saber que ela estava grávida do porteiro e que decidiram viver juntos. Mais uma vez, pedi a transferência de posto à terceirizada.  O casal permaneceu no condomínio por um curto período, depois se mudou para um apartamento mais espaçoso, em local melhor. Até onde eu soube, é uma história com final feliz.”

Matéria publicada na edição-310-abr/25 da Revista Direcional Condomínios

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